A inquietação diante das barreiras que dificultavam a participação plena das crianças no AEE motivou a criação de um recurso simples, acessível e lúdico. Foi confeccionado um suporte em EVA para ser colocado na cabeça, com fio e ímã na extremidade, permitindo a pescaria dos numerais de 1 a 10. Durante a atividade, as crianças realizavam movimentos controlados da cabeça e do pescoço para capturar os números, exercitando coordenação motora cervical, equilíbrio, atenção e concentração. Sob a perspectiva de Vygotsky, o corpo é também mediador da aprendizagem, e o controle dos movimentos cervicais integra o processo de desenvolvimento das funções superiores, favorecendo a autonomia e a construção de significados. Quando havia dificuldade na identificação, o professor mediava com a contagem das bolinhas em relevo, estimulando autocorreção e fortalecendo o conceito de número. O recurso mostrou–se altamente motivador, despertando interesse, participação ativa e engajamento. Apesar dos desafios iniciais, estratégias individualizadas e incentivo constante garantiram avanços significativos em numerais, coordenação, atenção e autonomia. 

A experiência mostra que, mesmo com recursos simples e de baixo custo, o professor, em sua dimensão inventiva e poética, é capaz de transformar inquietações em práticas que modificam vidas. Com o que tem à mão e o saber que constrói na práxis, abre caminhos para que cada criança descubra seu potencial e se reconheça protagonista da própria aprendizagem.

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