Categoria: Guararema

  • Raízes do Brasil: projeto valoriza saberes indígenas e afro-brasileiros em escola de Guararema

    Raízes do Brasil: projeto valoriza saberes indígenas e afro-brasileiros em escola de Guararema

    Iniciativa desenvolvida com estudantes do 4º ano promove educação para as relações étnico-raciais e amplia o conhecimento sobre as contribuições dos povos indígenas e africanos para a formação do Brasil

    Reconhecer as diferentes raízes que formam a sociedade brasileira e combater o preconceito por meio do conhecimento são os principais objetivos do projeto anual “Raízes do Brasil – Saberes Indígenas e Afro-Brasileiros”, desenvolvido pela E.M. Profª Célia Leonor Lopes Lunardini, com a turma do 4º ano B.

    A proposta busca promover a educação para as relações étnico-raciais a partir da valorização das matrizes indígenas e africanas, utilizando conhecimentos históricos, culturais e artísticos para contribuir com a desconstrução do racismo e do preconceito.

    Ao longo do projeto, os estudantes são convidados a investigar diferentes contribuições dos povos indígenas e africanos para a sociedade brasileira. Entre os objetivos estão identificar a presença de vocábulos indígenas e africanos na língua portuguesa, conhecer tecnologias e técnicas agrícolas desenvolvidas por esses povos e reconhecer seus conhecimentos científicos.

    A proposta também busca superar visões estereotipadas que apresentam indígenas e negros apenas como personagens do passado, destacando sua presença e participação na sociedade contemporânea.

    Além dos aspectos históricos e sociais, o projeto contempla manifestações culturais e artísticas, com a valorização da estética afro-brasileira, incluindo cabelos e vestimentas, e da arte indígena, representada por elementos como grafismos e cestaria.

    Um dos recortes do projeto é dedicado ao protagonismo feminino, com o estudo de mulheres negras que tiveram papel relevante na história brasileira e de potências indígenas da atualidade.

    Na atividade intitulada “Mulheres de Garra”, os estudantes conhecerão trajetórias de figuras como Tereza de Benguela, Dandara dos Palmares, Rosa Maria Egipcíaca e Aqualtune, refletindo sobre suas histórias e sobre as influências africanas presentes na formação do Brasil.

    A atividade será desenvolvida inicialmente por meio de uma roda de conversa, criando espaço para que os estudantes compartilhem conhecimentos e reflitam sobre a importância dessas personagens. Em seguida, as crianças produzirão desenhos das mulheres estudadas para uma exposição e realizarão pesquisas individuais sobre suas trajetórias, registrando as informações no caderno.

    Ao integrar história, cultura, arte, pesquisa e diálogo, o projeto “Raízes do Brasil” cria oportunidades para que os estudantes compreendam que a identidade brasileira é formada por diferentes povos, histórias e conhecimentos.

    A iniciativa também pretende estimular a empatia e o respeito à diversidade étnica no ambiente escolar, transformando o conhecimento sobre as matrizes indígenas e africanas em instrumento para a construção de relações mais respeitosas e conscientes.

    Embora a atividade apresentada seja apenas um recorte de uma proposta anual, ela evidencia a importância de trabalhar as relações étnico-raciais de maneira contínua, possibilitando que os estudantes ampliem seus repertórios e reconheçam diferentes sujeitos como protagonistas da história e da sociedade brasileira.

  • Acreditar para transformar: prática pedagógica fortalece inclusão e aprendizagem no 5º ano

    Acreditar para transformar: prática pedagógica fortalece inclusão e aprendizagem no 5º ano

    Experiência desenvolvida no 5º Ano A aposta no vínculo, na escuta e em estratégias personalizadas para superar barreiras de aprendizagem e fortalecer a autoestima dos estudantes

    Acreditar no potencial de cada estudante foi o ponto de partida para uma experiência pedagógica desenvolvida com uma turma do 5º Ano A do Ensino Fundamental, a partir de fevereiro de 2026. Diante de uma turma heterogênea, marcada por dificuldades de aprendizagem e, em alguns casos, pela baixa autoestima e pelo descrédito na própria capacidade de aprender, a proposta buscou transformar a sala de aula em um espaço de acolhimento, confiança, participação e desenvolvimento.

    A experiência, intitulada “Acreditar para transformar”, partiu da compreensão de que a segurança emocional e o sentimento de pertencimento são elementos importantes para favorecer o desenvolvimento cognitivo. Antes mesmo da introdução dos conteúdos curriculares formais, a prática priorizou a escuta, a observação e a construção de vínculos com os estudantes.

    A partir da observação das necessidades da turma, foram elaboradas estratégias individualizadas, recursos assistivos e adaptações curriculares. O objetivo era compreender cada estudante para além de suas dificuldades ou diagnósticos, valorizando suas potencialidades e criando condições para que todos pudessem avançar.

    Entre os estudantes acompanhados, estava uma aluna com diagnóstico de TEA e TDAH, que apresentava resistência às atividades, dificuldades de concentração e obstáculos no processo de aprendizagem formal. A professora utilizou personagens e temas relacionados aos seus interesses como disparadores para atividades de leitura e escrita. Gradualmente, a estudante avançou no processo de alfabetização, passou a demonstrar prazer em produzir suas próprias histórias e incorporou o abafador de ruídos como recurso de autorregulação sensorial.

    Outro estudante, com Síndrome da Deficiência Postural (SDP) e alteração na visão funcional, enfrentava dificuldades importantes relacionadas à leitura, à escrita e aos registros. Para favorecer sua participação, foram realizadas adaptações no ambiente e nos materiais, incluindo mudança no posicionamento da carteira, orientação postural, atividades com fonte e layout ampliados e utilização de régua de lupa para leituras extensas.

    Também recebeu atenção individualizada uma estudante que estava em processo de investigação diagnóstica e que, no início da experiência, ainda não reconhecia letras, inclusive as do próprio nome, nem numerais. Nesse caso, a intervenção priorizou a valorização de suas produções, o estímulo à oralidade e, principalmente, a construção de um vínculo de confiança.

    Além das intervenções individualizadas, a proposta envolveu toda a turma por meio de metodologias ativas e aulas dinâmicas. Os estudantes foram incentivados a expressar opiniões, debater ideias e desenvolver atitudes de empatia e respeito diante dos diferentes ritmos e características dos colegas.

    A experiência demonstra que a inclusão não se limita à oferta de recursos específicos para determinados estudantes. Ela também envolve a construção de uma cultura de sala de aula na qual as diferenças são reconhecidas, respeitadas e consideradas no planejamento das situações de aprendizagem.

    Os resultados registrados ao longo da experiência apontaram avanços tanto no desenvolvimento individual quanto na dinâmica coletiva da turma.

    Entre os avanços individuais, destacam-se a consolidação do processo de alfabetização e o aumento da autonomia na escrita narrativa da estudante com TEA e TDAH; a superação de barreiras de leitura e escrita, além do aumento da motivação e da autoconfiança do estudante com SDP e alteração visual; e o ingresso no processo de alfabetização da estudante em investigação, que passou a realizar a leitura de palavras e pequenas frases, reconhecer e manipular elementos do Sistema de Numeração Decimal e demonstrar maior autoestima.

    No coletivo, a turma apresentou fortalecimento da empatia e do respeito aos diferentes ritmos e características. Também foi observada uma mudança na postura acadêmica dos estudantes, que passaram de uma participação mais passiva e insegura para uma atuação mais ativa, crítica e engajada nas atividades propostas.

    A experiência desenvolvida no 5º Ano A evidencia a importância do afeto, do respeito à singularidade e da mediação pedagógica intencional na superação das barreiras de aprendizagem. Embora o acompanhamento dos estudantes continue sendo necessário, as transformações observadas demonstram os efeitos positivos de uma prática que alia inclusão, recomposição das aprendizagens e valorização das potencialidades individuais.

    Ao reconhecer as identidades dos estudantes e atender às suas necessidades por meio de estratégias diversificadas e tecnologias assistivas, a prática possibilitou a reconstrução da confiança no próprio potencial.

    A experiência reforça uma mensagem essencial para a educação pública: acreditar no estudante também é uma prática pedagógica. Quando o professor olha para cada criança de maneira singular, identifica possibilidades e cria caminhos para que ela avance, a sala de aula se transforma em um espaço de novas oportunidades.

    E, como sintetiza a própria experiência, quando uma criança volta a acreditar em si mesma, essa pode ser uma das aprendizagens mais importantes de todas.

  • Pequenos Leitores: projeto transforma as sextas-feiras em momentos de leitura, cultura e inclusão

    Pequenos Leitores: projeto transforma as sextas-feiras em momentos de leitura, cultura e inclusão

    Iniciativa da Escola Municipal Professora Olga de Oliveira Freire promove histórias, músicas, danças e brincadeiras para estimular a imaginação e o protagonismo das crianças

    As sextas-feiras ganharam um significado especial para as crianças da Escola Municipal Professora Olga de Oliveira Freire, em Guararema. Ao longo do ano letivo, o projeto “Pequenos Leitores – Leitura e Inclusão” transformou esse dia da semana em um momento de encontro, convivência e aprendizagem entre as diferentes turmas da Educação Infantil.

    A iniciativa surgiu a partir da compreensão de que a leitura e as manifestações culturais desempenham papel fundamental no desenvolvimento da imaginação, da oralidade, da criatividade e do respeito às diferenças. Como parte da proposta, a escola instituiu a Sexta Cultural, um espaço permanente de interação e inclusão.

    A cada semana, uma turma fica responsável por preparar uma apresentação para compartilhar com os demais estudantes. A programação inclui contação de histórias, dramatizações, cantigas de roda, danças, poesias, parlendas, fantoches e brincadeiras tradicionais.

    Em muitas ocasiões, as próprias crianças participam da criação de histórias e pequenas encenações, assumindo papel de protagonistas nas atividades. A proposta respeita os diferentes ritmos, interesses e formas de expressão, garantindo a participação de todos.

    Mais do que momentos de entretenimento, as atividades possibilitam que as crianças desenvolvam a capacidade de se expressar, ouvir o outro, compartilhar experiências e conviver com diferentes formas de participação.

    Os resultados observados pela equipe escolar mostram impactos positivos no desenvolvimento das crianças. Entre os avanços estão a maior interação entre as turmas, o desenvolvimento da oralidade e da imaginação, o fortalecimento da autonomia, a valorização das diferenças e a ampliação do interesse pela leitura e pela cultura.

    O entusiasmo das crianças também se tornou uma característica marcante do projeto. A expectativa pela chegada de cada sexta-feira demonstra como a atividade passou a fazer parte da rotina escolar de maneira significativa. O acompanhamento é realizado continuamente, considerando aspectos como o envolvimento, a criatividade e o interesse demonstrado pelas crianças durante as propostas.

    Ao unir leitura, cultura, convivência e inclusão, o projeto “Pequenos Leitores – Leitura e Inclusão” consolida uma prática pedagógica que valoriza a infância e reconhece as crianças como sujeitos ativos no processo de aprendizagem.

    A experiência mostra que é possível transformar momentos simples da rotina escolar em oportunidades significativas de desenvolvimento. Com histórias, músicas, poesias, brincadeiras e muita criatividade, as sextas-feiras da Escola Municipal Professora Olga de Oliveira Freire passaram a representar encontros de aprendizagem, expressão e convivência.

    Dessa forma, o projeto contribui para a formação integral dos pequenos leitores, fortalecendo a leitura, a cultura e a inclusão em um ambiente acolhedor, alegre e significativo.

  • Educação inclusiva amplia participação e autonomia de criança na Educação Infantil

    Educação inclusiva amplia participação e autonomia de criança na Educação Infantil

    Experiência desenvolvida no Maternal II C da Escola Municipal Regina Celi Rudge Perotti mostra como estratégias pedagógicas e mediações podem favorecer a aprendizagem, a interação e a autonomia das crianças

    A inclusão na Educação Infantil ganha significado quando todas as crianças encontram condições para participar efetivamente das experiências propostas no cotidiano escolar. Foi a partir dessa perspectiva que a equipe da Escola Municipal Regina Celi Rudge Perotti, sob a direção de Cristiane Tavares Sampaulo e com a professora regente Roseli da Silva Martins, desenvolveu uma experiência de Educação Especial e Inclusiva com a turma do Maternal II C.

    A proposta surgiu a partir da observação das necessidades e potencialidades de Clara, de 3 anos, com o objetivo de ampliar sua participação nas diferentes vivências oferecidas à turma. Para isso, foram planejadas estratégias pedagógicas, adaptações e mediações que respeitassem seu ritmo e favorecessem sua aprendizagem, interação, expressão e autonomia.

    Ao longo da experiência, Clara participou de diferentes propostas realizadas no cotidiano escolar, sempre buscando garantir sua permanência e participação junto aos colegas. Foram utilizados recursos concretos, visuais e lúdicos, além de atividades práticas e mediações individualizadas quando necessárias.

    Entre as experiências realizadas estiveram atividades com formas geométricas, exploração das letras do próprio nome, pintura, desenho, brincadeiras no parque, exploração da terra e atividades culturais, incluindo os ensaios para a Festa Junina. As propostas foram organizadas de maneira que a criança pudesse vivenciar as mesmas experiências do grupo, contando com apoio e incentivo da professora.

    O acompanhamento aconteceu por meio da observação cotidiana, de registros pedagógicos e de fotografias. Esses instrumentos permitiram à professora identificar avanços e compreender quais estratégias contribuíam de maneira mais significativa para a participação da criança.

    Os resultados observados durante o desenvolvimento da experiência demonstraram avanços importantes. Clara passou a apresentar maior concentração e permanência nas atividades, além de demonstrar mais interesse na exploração dos materiais e na realização das propostas.

    Também foram percebidas mudanças positivas na interação com os colegas. A criança passou a participar com maior envolvimento de brincadeiras e atividades coletivas, ampliando sua presença em diferentes momentos da rotina escolar, como experiências pedagógicas, artísticas, atividades ao ar livre e apresentações culturais.

    As adaptações e mediações contribuíram ainda para que Clara encontrasse diferentes formas de participar e se expressar, respeitando suas características e seu ritmo de aprendizagem.

    A experiência desenvolvida no Maternal II C reforça que a Educação Inclusiva não se limita à presença da criança na escola. Ela se concretiza quando são criadas condições efetivas para que cada criança participe, interaja, aprenda e se desenvolva junto ao grupo.

    O trabalho realizado mostrou que estratégias diferenciadas, mediação pedagógica e um ambiente acolhedor podem favorecer avanços na concentração, participação, interação e autonomia.

    Mais do que adaptar atividades, a experiência evidencia a importância de olhar para as potencialidades de cada criança e criar oportunidades para que ela esteja envolvida nas experiências coletivas. Dessa forma, a escola reafirma seu compromisso com uma prática pedagógica que valoriza a diversidade e compreende as diferenças como parte fundamental do processo educativo.

  • Comunicação alternativa amplia autonomia e inclusão de estudantes na E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme

    Comunicação alternativa amplia autonomia e inclusão de estudantes na E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme

    Prática pedagógica reconhece diferentes formas de comunicação e cria oportunidades para que estudantes com TEA possam expressar escolhas, necessidades e preferências no cotidiano escolar

    A E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme vem desenvolvendo uma prática de Educação Inclusiva que demonstra como reconhecer diferentes formas de comunicação pode transformar a participação dos estudantes no ambiente escolar.

    Com o tema “Comunicação alternativa como caminho para autonomia e inclusão escolar”, a experiência, desenvolvida pelo Coordenador de Serviços Flavio Celso Jacinto Junior, parte de uma concepção fundamental: a ausência da fala não significa ausência de comunicação.

    A proposta surgiu a partir do acompanhamento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista – TEA que não utilizam a fala como principal meio de comunicação. O trabalho busca construir caminhos comunicativos que respeitem as características individuais de cada estudante e possibilitem que diferentes formas de expressão sejam reconhecidas e utilizadas de maneira funcional na rotina escolar.

    A inclusão escolar vai além de garantir a presença do estudante na escola. É preciso criar condições para que ele possa participar, fazer escolhas, expressar necessidades, manifestar preferências e desenvolver sua autonomia.

    Nesse sentido, a comunicação ocupa um papel fundamental. A prática desenvolvida na escola utiliza, de forma integrada, recursos de comunicação alternativa e aumentativa, suportes visuais, gestos, apontar, expressões e possibilidades de escolha inseridas nas situações reais do cotidiano.

    O trabalho foi desenvolvido de maneira sistemática com Jorge Noah, atualmente estudante do 1º ano do Ensino Fundamental. As estratégias construídas também foram utilizadas com Felipe You Hide, estudante do 5º ano, ampliando a experiência para diferentes etapas da escolarização.

    O trabalho teve início com a observação individualizada dos estudantes, buscando compreender como cada um já tentava se comunicar e quais recursos poderiam favorecer sua expressão.

    No acompanhamento de Jorge, foram introduzidos e sistematizados recursos visuais e comunicativos, especialmente pranchas de SIM/NÃO, pranchas com itens e atividades, além da valorização de gestos, apontar e troca de olhares.

    Com o passar do tempo, os recursos deixaram de ser utilizados exclusivamente com a mediação direta do adulto e passaram a assumir uma função comunicativa mais independente. Jorge passou a apontar autonomamente itens desejados, expressar recusas e demonstrar preferências de maneira mais clara.

    A comunicação também foi incorporada às situações concretas da rotina. Dessa forma, uma prancha deixou de ser apenas um recurso pedagógico e passou a representar uma possibilidade real de tomada de decisão e participação. Da mesma maneira, o apontar, os gestos e o olhar passaram a ser reconhecidos como integrantes de um repertório comunicativo mais amplo.

    Um dos diferenciais da experiência é justamente compreender a comunicação como um caminho para a autonomia.

    As estratégias utilizadas buscaram deslocar o estudante de uma posição predominantemente receptiva para uma participação mais ativa na rotina escolar, contribuindo também para reduzir situações de frustração e momentos de crise.

    Também foram utilizados recursos de antecipação e contagem regressiva para favorecer a compreensão das transições entre atividades. Em determinadas situações, Jorge passou a compreender os avisos de encerramento e a entregar voluntariamente o objeto que estava utilizando após a sinalização.

    As estratégias construídas durante o acompanhamento de Jorge também foram utilizadas com Felipe You Hide, estudante do 5º ano com TEA e sem comunicação verbal funcional.

    A ampliação da prática demonstrou que os princípios da comunicação alternativa podem ser utilizados em diferentes etapas da escolarização, desde que sejam respeitadas as características, necessidades e possibilidades de cada estudante.

    A proposta não consiste, portanto, em utilizar uma única prancha ou um recurso padronizado, mas em construir possibilidades de comunicação acessíveis e funcionais, selecionando os recursos que melhor favoreçam a expressão e a participação de cada criança.

    Entre os resultados registrados estão a utilização mais funcional das pranchas de comunicação, o apontar autônomo para indicar itens desejados, a expressão mais clara de recusas, a manifestação de preferências, a ampliação da intenção comunicativa por meio de gestos, apontar e troca de olhares, além de maior participação nas atividades e compreensão das transições da rotina.

    Os avanços também puderam ser percebidos em situações cotidianas. Durante a alimentação, por exemplo, Jorge, que anteriormente não segurava a banana sozinho, passou a segurá-la por conta própria.

    A principal contribuição da experiência está na mudança de perspectiva sobre a comunicação dos estudantes com TEA que não utilizam a fala como meio funcional de comunicação.

    Em vez de esperar que a fala se desenvolva para então reconhecer o estudante como sujeito comunicativo, a escola passou a criar condições para que ele pudesse se expressar a partir das habilidades e dos recursos que já possuía.

    Nesse contexto, a comunicação alternativa deixa de ser apenas um recurso de apoio e passa a constituir uma ferramenta de inclusão, participação e autonomia.

    A experiência da E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme demonstra que construir caminhos comunicativos acessíveis pode transformar a relação do estudante com a escola e com as pessoas ao seu redor.

    Mais do que ensinar o uso de um recurso, a prática convida a própria escola a aprender a escutar diferentes formas de comunicação.

    Porque quando uma criança aponta, olha, gesticula, escolhe ou utiliza uma imagem para expressar aquilo que deseja, ela está comunicando. E quando a escola reconhece essa comunicação e cria condições para que ela aconteça, deixa de apenas incluir o estudante no espaço escolar e passa a oferecer condições efetivas para que ele participe, escolha e desenvolva sua autonomia.

  • Da cultura japonesa à sala de aula: projeto transforma a Educação Infantil em espaço de aprendizagem e descobertas

    Da cultura japonesa à sala de aula: projeto transforma a Educação Infantil em espaço de aprendizagem e descobertas

    Experiência desenvolvida pela E. M. Profª Alice Moura Rodrigues, em Guararema, amplia repertórios culturais e promove aprendizagens significativas por meio da culinária, da cerimônia do chá e do cultivo de bonsai

    A curiosidade das crianças pode ser o ponto de partida para experiências capazes de transformar a escola em um verdadeiro laboratório de descobertas. Foi a partir desse princípio que a equipe pedagógica da E. M. Profª Alice Moura Rodrigues, em Guararema (SP), desenvolveu um projeto voltado às crianças de 5 anos, do Jardim II, inspirado na cultura japonesa.

    A proposta surgiu do interesse dos estudantes por diferentes culturas e alimentos e foi planejada para ampliar repertórios, promover o respeito à diversidade e possibilitar aprendizagens significativas desde a Educação Infantil. Ao longo do projeto, as crianças tiveram contato com diferentes elementos da cultura japonesa, em atividades que integraram conhecimento, ludicidade, autonomia e desenvolvimento socioemocional.

    O projeto foi organizado em três experiências principais. A primeira envolveu a culinária japonesa, com a participação de um sushiman. As crianças participaram da preparação de sushi, vivenciando uma atividade que contribuiu para o desenvolvimento da coordenação motora fina, da autonomia e da ampliação do vocabulário.

    Na segunda etapa, os estudantes conheceram a cerimônia do chá, experiência que possibilitou trabalhar atitudes como escuta, espera e cortesia, além de favorecer o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

    O terceiro momento foi dedicado ao cultivo de bonsai. Ao acompanhar o crescimento e os cuidados necessários com a planta, as crianças puderam desenvolver noções relacionadas ao tempo, à paciência e à sustentabilidade.

    Mais do que apresentar elementos de uma cultura diferente, as atividades criaram situações concretas para que as crianças observassem, experimentassem, conversassem e construíssem novos conhecimentos.

    A experiência também fortaleceu a relação entre escola e comunidade. A participação de profissionais convidados demonstrou a abertura da instituição para diferentes saberes e contribuiu para aproximar escola, famílias e parceiros locais.

    Ao trazer conhecimentos relacionados à culinária, à cerimônia do chá e ao cultivo de bonsai para o cotidiano escolar, o projeto promoveu o diálogo entre diferentes tradições e contribuiu para a construção de uma educação pautada no pertencimento e no respeito à diversidade. A proposta está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 – Educação de Qualidade, especialmente à meta 4.7, que contempla conhecimentos e aprendizagens voltados à diversidade cultural e à cidadania.

    Os resultados observados ao longo da experiência evidenciaram avanços na expressão oral, na capacidade das crianças de narrar suas experiências e na construção de repertório cultural. O contato com uma cultura diferente também ampliou a percepção dos estudantes sobre o mundo e sobre a diversidade presente na sociedade.

    A iniciativa reposiciona a escola pública como um espaço intercultural, no qual saberes locais e globais podem dialogar em favor da aprendizagem. Ao proporcionar experiências concretas e significativas, a proposta também contribui para romper estereótipos e fortalecer uma educação plural, em consonância com a BNCC e com os princípios da ODS 4.

    Com potencial para ser adaptado e desenvolvido em outras escolas, considerando as características de cada território, o projeto demonstra que práticas inovadoras podem nascer da escuta atenta das crianças e da capacidade da escola de transformar curiosidades em oportunidades de aprendizagem.

    Em Guararema, a experiência mostra que educar também é apresentar novos mundos às crianças — e ajudá-las a descobrir, desde cedo, que a diversidade pode ser uma fonte de conhecimento, respeito e enriquecimento coletivo.

  • Educação Especial promove identidade, diversidade e representatividade por meio do PNEERQ

    Educação Especial promove identidade, diversidade e representatividade por meio do PNEERQ

    Projeto desenvolvido em Guararema utiliza literatura, arte, música e movimento para valorizar histórias, culturas e identidades de crianças com deficiência

    Falar sobre identidade, diversidade e representatividade também é construir uma educação mais inclusiva. Com esse propósito, a Escola Municipal de Educação Complementar Adibe Sayar Daher desenvolve, desde junho de 2025, a experiência “PNEERQ na Educação Especial: Identidade, Diversidade e Representatividade”, que reúne literatura, arte, música, movimento e atividades sensoriais para promover a valorização da diversidade étnico-racial.

    A proposta está alinhada à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) e busca fortalecer uma educação antirracista, inclusiva e comprometida com a valorização das diferentes identidades e culturas.

    As atividades foram planejadas considerando as diferentes possibilidades de aprendizagem e expressão dos estudantes. Rodas de conversa, leituras, músicas, movimentos, produções artísticas e experiências sensoriais foram utilizadas para abordar temas como identidade, ancestralidade, representatividade e pertencimento.

    Entre as obras trabalhadas estão “Amoras”, “O cabelo de Lelê” e “Da cor que eu sou”, utilizadas como ponto de partida para ampliar os diálogos sobre identidade e diversidade.

    As crianças também participaram de atividades inspiradas nas culturas africana e indígena, produzindo mandalas, máscaras, pinturas e trabalhos relacionados às bandeiras africanas, além de propostas como “Flores que Revelam Quem Sou” e “Meus Cachos Contam Minha História”.

    A experiência incluiu ainda música, capoeira, dança afro e a construção e exploração de elementos culturais, como o xequerê e a boneca Abayomi. A cultura indígena foi abordada por meio de contos e da apreciação de diferentes elementos culturais.

    As atividades foram mediadas e adaptadas de acordo com as características e possibilidades de cada estudante. Ao longo do projeto, as produções foram registradas e reunidas para compor uma exposição, tornando visível o percurso de aprendizagem construído pelas crianças.

    Segundo o relato da experiência, as propostas favoreceram reflexões sobre o respeito às diferenças, o reconhecimento de si e do outro e a valorização das histórias e culturas africana e indígena. Os estudantes puderam expressar suas percepções por meio de desenhos, pinturas, colagens, música, movimento e atividades sensoriais.

    A exposição dos trabalhos constituiu a culminância do projeto e possibilitou que a comunidade escolar conhecesse as experiências e reconhecesse o protagonismo dos estudantes.

    A iniciativa reforça que o trabalho com as relações étnico-raciais pode ser desenvolvido de maneira acessível e integrada na Educação Especial, criando oportunidades para que crianças com deficiência expressem suas identidades e vivenciem diferentes manifestações culturais.

    A experiência reafirma a importância de ações contínuas voltadas à educação para as relações étnico-raciais e à construção de uma escola que valorize todas as identidades, histórias e culturas.

  • Cada casa, uma história: projeto valoriza diversidade e pertencimento entre estudantes de Guararema

    Cada casa, uma história: projeto valoriza diversidade e pertencimento entre estudantes de Guararema

    Experiência desenvolvida na Escola Professora Alice Moura Rodriguês envolve alunos do 3º ano em atividades de leitura, diálogo, escrita e produção coletiva sobre diferentes histórias familiares

    Na Escola Professora Alice Moura Rodriguês, em Guararema, uma experiência pedagógica vem transformando a reflexão sobre diversidade em uma construção coletiva. Intitulado “Cada Casa, Uma História: Nossa Turma na Construção de uma Cidade onde Todos Têm Lugar”, o projeto integra a temática da Educação das Relações Étnico-Raciais e teve início em março de 2026. A iniciativa foi desenvolvida com 17 estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental.

    A proposta partiu da leitura compartilhada do livro Sonhando em Felicidade, obra que apresenta uma cidade formada por famílias com diferentes origens, culturas e trajetórias. A partir da história, os estudantes participaram de rodas de conversa sobre as características, semelhanças e diferenças entre as famílias, relacionando o conteúdo da literatura às próprias experiências.

    Depois das conversas, os alunos foram convidados a escrever cartas para um amigo, relatando o que haviam aprendido. Em seguida, cada criança representou sua própria família dentro de uma casa, utilizando o desenho como forma de expressão.

    As produções ganharam um novo significado quando as casas foram reunidas em uma construção coletiva chamada “Nossa Turma na Cidade da Felicidade”. A atividade permitiu transformar os trabalhos individuais em uma representação concreta de uma comunidade formada por diferentes famílias, histórias e experiências que compartilham o mesmo espaço de convivência.

    O percurso também foi registrado no Livro da Vida da turma, reunindo evidências das atividades realizadas. Ao longo da experiência, foram articuladas diferentes linguagens e formas de aprendizagem, como leitura, oralidade, escrita, desenho e produção coletiva.

    Um dos destaques da experiência foi a participação dos estudantes nas diferentes etapas. Segundo o registro do projeto, os 17 alunos participaram da produção das cartas, inclusive aqueles que apresentavam maiores dificuldades, demonstrando que a proposta possibilitou diferentes formas de expressão e participação.

    Na etapa de construção da cidade, foram produzidas 14 casas, uma vez que três estudantes estavam ausentes naquele momento. Mesmo assim, a atividade possibilitou que as produções individuais fossem integradas a um trabalho coletivo, reforçando a ideia de que cada história tem importância na construção de um espaço comum.

    Mais do que desenvolver atividades de leitura e produção escrita, a experiência buscou favorecer o reconhecimento e a valorização das diferentes histórias e configurações familiares, estimulando o respeito à diversidade e o sentimento de pertencimento.

    A proposta também demonstrou a importância de trabalhar uma mesma temática por meio de diferentes linguagens. A leitura inicial serviu como ponto de partida para a conversa, que posteriormente deu lugar à escrita, ao desenho e à construção coletiva. Dessa forma, os estudantes puderam relacionar a história apresentada no livro às próprias vivências e ampliar suas reflexões sobre família, diferenças e convivência.

    Ao final, a “Cidade da Felicidade” tornou-se uma síntese visual do percurso desenvolvido pela turma: diferentes casas, cada uma representando uma história, reunidas em um único espaço. A experiência reforça que conviver significa reconhecer as singularidades de cada pessoa e compreender que todos podem contribuir para a construção de um ambiente coletivo de respeito e pertencimento.

    Cada casa tem uma história. Juntas, elas constroem uma cidade onde todos têm lugar.

  • Yoga e Meditação ampliam possibilidades de aprendizagem na Educação Especial em Guararema

    Yoga e Meditação ampliam possibilidades de aprendizagem na Educação Especial em Guararema

    Prática desenvolvida na Escola Municipal de Educação Complementar Adibe Sayar Daher integra movimento, respiração e relaxamento para favorecer o desenvolvimento integral de crianças com deficiência

    Movimento, equilíbrio, respiração e concentração passaram a fazer parte de uma experiência pedagógica desenvolvida na Escola Municipal de Educação Complementar Adibe Sayar Daher. Desde fevereiro de 2025, o projeto “Yoga e Meditação na Educação Especial: descobrindo possibilidades entre corpo, mente e emoções” utiliza práticas corporais e momentos de meditação como estratégias para ampliar a participação e o desenvolvimento das crianças com deficiência.

    A iniciativa surgiu da necessidade de proporcionar aos estudantes experiências corporais que respeitassem suas características, potencialidades, ritmos e necessidades individuais. A proposta integra práticas de Yoga, exercícios respiratórios, relaxamento, meditação e mindfulness, apresentadas de maneira lúdica e acessível.

    As atividades são realizadas durante as aulas de Educação Física e adaptadas às possibilidades de cada criança. Entre as estratégias utilizadas estão posturas de Yoga, exercícios de equilíbrio e respiração, mímicas, jogos de adivinhação, meditação e práticas de mindfulness.

    As propostas são apresentadas gradualmente, com demonstrações, incentivo à imitação e mediação dos profissionais. Dessa forma, os estudantes são convidados a experimentar os movimentos e participar das atividades respeitando seus próprios ritmos e limites.

    O ambiente também é organizado de forma acolhedora, possibilitando momentos individuais e coletivos. Durante o desenvolvimento do projeto, são realizados registros das atividades, das respostas dos estudantes aos estímulos e das conquistas observadas ao longo do percurso.

    De acordo com o relato da experiência, as práticas proporcionaram vivências corporais diversificadas e significativas, favorecendo a percepção e a consciência do próprio corpo. As atividades também contribuíram para trabalhar flexibilidade, força, coordenação motora, equilíbrio, concentração e autoestima.

    A utilização de jogos, mímicas, exercícios de respiração e atividades de equilíbrio tornou as propostas mais atrativas e ampliou as possibilidades de participação. Já os momentos de meditação e mindfulness favoreceram experiências relacionadas à atenção, percepção, calma e organização.

    A experiência evidencia que o Yoga e a Meditação podem constituir importantes recursos pedagógicos na Educação Especial, integrando aspectos motores, cognitivos, emocionais e sociais em atividades acessíveis, prazerosas e significativas.

    Ao inserir o Yoga e a Meditação no cotidiano escolar, a experiência valoriza as potencialidades individuais e cria oportunidades para que cada criança participe de acordo com suas possibilidades.

    Mais do que uma atividade corporal, a proposta demonstra como práticas que integram corpo, mente e emoções podem contribuir para uma rotina escolar mais acolhedora, participativa e significativa para as crianças com deficiência.

  • Folclore Brasileiro transforma alfabetização em experiência de cultura, pesquisa e aprendizagem na E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme

    Folclore Brasileiro transforma alfabetização em experiência de cultura, pesquisa e aprendizagem na E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme

    Projeto desenvolvido pelo Programa de Alfabetização Garantida – PAG envolve estudantes do 3º ao 5º ano e valoriza as diferentes matrizes culturais que formam a identidade brasileira

    A E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme desenvolveu, por meio do Programa de Alfabetização Garantida (PAG), a experiência “Folclore Brasileiro: As Raízes Culturais que Nos Unem”, envolvendo estudantes do 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental.

    Coordenada pela professora Cynthia Missao Carneiro, a proposta integrou alfabetização, letramento e valorização da diversidade cultural, utilizando o folclore brasileiro como ponto de partida para ampliar conhecimentos, fortalecer aprendizagens e promover o respeito às diferenças e às relações étnico-raciais.

    Lendas, cantigas, brincadeiras, festas populares e outras manifestações culturais foram utilizadas como caminhos para que os estudantes compreendessem que o folclore brasileiro é resultado das contribuições de diferentes povos, entre eles indígenas, africanos e europeus.

    A proposta foi articulada às práticas já desenvolvidas no PAG, envolvendo leitura compartilhada, produção textual, jogos de alfabetização, pesquisa, oralidade e atividades artísticas. Ao mesmo tempo, as experiências favoreceram o protagonismo estudantil e o desenvolvimento de competências socioemocionais, como cooperação, empatia, comunicação e respeito às diferentes identidades.

    O projeto teve início com rodas de conversa sobre cultura, folclore e diversidade, valorizando os conhecimentos prévios dos estudantes.

    Na sequência, foram apresentados vídeos sobre lendas brasileiras, povos indígenas, cultura africana e diferentes manifestações culturais do país. As experiências foram acompanhadas de registros escritos e ilustrações, possibilitando que os estudantes articulassem conhecimentos, linguagem e expressão artística.

    A leitura compartilhada de lendas, parlendas, cantigas e adivinhas contribuiu para o desenvolvimento da fluência leitora, da interpretação e da produção textual.

    Cada estudante também realizou uma pesquisa sobre quatro lendas e produziu um triorama, reunindo informações sobre o nome, as características, o habitat e a importância cultural dos personagens pesquisados.

    Entre as atividades desenvolvidas, os estudantes participaram ainda de uma oficina de máscaras do Saci, relacionando a personagem às influências indígenas e africanas presentes na formação do folclore brasileiro.

    A proposta possibilitou que um personagem conhecido do imaginário popular fosse estudado para além da simples narrativa, favorecendo a investigação sobre as diferentes contribuições culturais que compõem as manifestações brasileiras.

    Para finalizar o percurso, os estudantes construíram um mapa cultural do Brasil, localizando lendas e manifestações características de diferentes regiões do país.

    Dessa forma, leitura, escrita, oralidade, pesquisa, arte e trabalho colaborativo estiveram presentes de maneira integrada ao longo da experiência.

    Os resultados demonstraram avanços na alfabetização e no letramento, especialmente na fluência leitora, produção escrita, oralidade e interpretação de textos.

    Também foi observada maior participação dos estudantes nas pesquisas, apresentações e momentos de socialização dos trabalhos, com ampliação da autonomia, do interesse e do protagonismo.

    Além das aprendizagens relacionadas à leitura e à escrita, a experiência contribuiu para ampliar o repertório cultural dos estudantes e fortalecer a compreensão de que o folclore brasileiro é resultado das contribuições de diferentes povos.

    As atividades também favoreceram o desenvolvimento de competências socioemocionais, como empatia, cooperação, responsabilidade, criatividade, comunicação, escuta ativa e trabalho em equipe, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a convivência respeitosa no ambiente escolar.

    Um dos destaques da experiência foi a articulação entre a Educação em Tempo Integral, a Educação das Relações Étnico-Raciais e as práticas do Programa de Alfabetização Garantida.

    Ao integrar jogos de alfabetização, leitura compartilhada, produção textual, rodas de conversa e projetos colaborativos ao estudo das matrizes indígena, africana e europeia presentes na cultura brasileira, a escola transformou o folclore em uma experiência interdisciplinar, significativa e inclusiva.

    A proposta demonstrou que trabalhar a cultura brasileira também pode contribuir para fortalecer a alfabetização, ampliar repertórios, estimular a pesquisa e desenvolver estudantes mais conscientes da diversidade que constitui o país.

    A experiência da E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme evidencia que o processo de alfabetização pode ganhar ainda mais significado quando dialoga com a cultura, a história e as experiências dos estudantes.

    Ao conhecer diferentes lendas e manifestações culturais, pesquisar suas origens, produzir textos, criar materiais e compartilhar descobertas, os estudantes não apenas desenvolveram habilidades de leitura, escrita e oralidade, mas também tiveram a oportunidade de reconhecer a riqueza das diferentes tradições que compõem a identidade brasileira.

    O trabalho reafirma o compromisso da escola com uma educação equitativa, inclusiva e voltada à formação integral, fortalecendo o protagonismo dos estudantes, a cooperação e o respeito à diversidade.

    Porque conhecer nossas raízes é também reconhecer a diversidade que nos forma, valorizar nossas histórias e compreender que diferentes culturas podem nos unir.