Dia: 13 de agosto de 2026

  • Cada casa, uma história: projeto valoriza diversidade e pertencimento entre estudantes de Guararema

    Cada casa, uma história: projeto valoriza diversidade e pertencimento entre estudantes de Guararema

    Experiência desenvolvida na Escola Professora Alice Moura Rodriguês envolve alunos do 3º ano em atividades de leitura, diálogo, escrita e produção coletiva sobre diferentes histórias familiares

    Na Escola Professora Alice Moura Rodriguês, em Guararema, uma experiência pedagógica vem transformando a reflexão sobre diversidade em uma construção coletiva. Intitulado “Cada Casa, Uma História: Nossa Turma na Construção de uma Cidade onde Todos Têm Lugar”, o projeto integra a temática da Educação das Relações Étnico-Raciais e teve início em março de 2026. A iniciativa foi desenvolvida com 17 estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental.

    A proposta partiu da leitura compartilhada do livro Sonhando em Felicidade, obra que apresenta uma cidade formada por famílias com diferentes origens, culturas e trajetórias. A partir da história, os estudantes participaram de rodas de conversa sobre as características, semelhanças e diferenças entre as famílias, relacionando o conteúdo da literatura às próprias experiências.

    Depois das conversas, os alunos foram convidados a escrever cartas para um amigo, relatando o que haviam aprendido. Em seguida, cada criança representou sua própria família dentro de uma casa, utilizando o desenho como forma de expressão.

    As produções ganharam um novo significado quando as casas foram reunidas em uma construção coletiva chamada “Nossa Turma na Cidade da Felicidade”. A atividade permitiu transformar os trabalhos individuais em uma representação concreta de uma comunidade formada por diferentes famílias, histórias e experiências que compartilham o mesmo espaço de convivência.

    O percurso também foi registrado no Livro da Vida da turma, reunindo evidências das atividades realizadas. Ao longo da experiência, foram articuladas diferentes linguagens e formas de aprendizagem, como leitura, oralidade, escrita, desenho e produção coletiva.

    Um dos destaques da experiência foi a participação dos estudantes nas diferentes etapas. Segundo o registro do projeto, os 17 alunos participaram da produção das cartas, inclusive aqueles que apresentavam maiores dificuldades, demonstrando que a proposta possibilitou diferentes formas de expressão e participação.

    Na etapa de construção da cidade, foram produzidas 14 casas, uma vez que três estudantes estavam ausentes naquele momento. Mesmo assim, a atividade possibilitou que as produções individuais fossem integradas a um trabalho coletivo, reforçando a ideia de que cada história tem importância na construção de um espaço comum.

    Mais do que desenvolver atividades de leitura e produção escrita, a experiência buscou favorecer o reconhecimento e a valorização das diferentes histórias e configurações familiares, estimulando o respeito à diversidade e o sentimento de pertencimento.

    A proposta também demonstrou a importância de trabalhar uma mesma temática por meio de diferentes linguagens. A leitura inicial serviu como ponto de partida para a conversa, que posteriormente deu lugar à escrita, ao desenho e à construção coletiva. Dessa forma, os estudantes puderam relacionar a história apresentada no livro às próprias vivências e ampliar suas reflexões sobre família, diferenças e convivência.

    Ao final, a “Cidade da Felicidade” tornou-se uma síntese visual do percurso desenvolvido pela turma: diferentes casas, cada uma representando uma história, reunidas em um único espaço. A experiência reforça que conviver significa reconhecer as singularidades de cada pessoa e compreender que todos podem contribuir para a construção de um ambiente coletivo de respeito e pertencimento.

    Cada casa tem uma história. Juntas, elas constroem uma cidade onde todos têm lugar.

  • Como uma medalha e painéis visuais aumentaram a leitura de alunos em até 17%

    Como uma medalha e painéis visuais aumentaram a leitura de alunos em até 17%

    Projeto “Medalha Estudante Leitor” transforma o processo de alfabetização no 1º e 2º ano ao unir acompanhamento visual, grupos de nível e celebração com a família.

    A alfabetização na idade certa é um dos maiores desafios da educação infantil. Para tornar essa jornada mais leve, motivadora e eficiente, o Projeto Medalha Estudante Leitor apostou em uma combinação simples, mas poderosa: gestão à vista, intervenção pedagógica direcionada e envolvimento da família.

    Destinada aos alunos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, a iniciativa transformou a rotina das salas de aula e apresentou um salto expressivo nos índices de fluência leitora da escola.

    📈 Os Números do Impacto

    Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram um crescimento constante após a implementação do projeto no final de 2025:

    • 1º Ano: Saltou de 12% (2024) para 29% (2026) de leitores no nível desejável — um aumento de 17 pontos percentuais.
    • 2º Ano: Subiu de 46% (2024) para 62% (2026) nos níveis desejáveis — uma alta de 16 pontos percentuais.

    “Mais do que medir resultados, o objetivo foi fazer com que as crianças entendessem a própria evolução e se sentissem orgulhosas de cada etapa conquistada.”

    Como funciona na prática?
    O projeto vai muito além de dar um prêmio ao final do ano. Ele foi estruturado em quatro pilares pedagógicos essenciais:
    Agrupamentos por Nível: Intervenções direcionadas de acordo com as necessidades específicas de cada criança.
    Visualização do Progresso (Alfabetômetro e Leiturômetro): Ferramentas visuais onde o estudante acompanha em que nível está e onde pode chegar.
    Protagonismo Infantil: A criança entende o seu percurso, tornando-se agente ativa do próprio aprendizado.
    Celebração em Família: A entrega da Medalha do Estudante Leitor conta com a presença dos pais, reforçando o vínculo entre a casa e a escola.
    A medalha deixou de ser um mero prêmio e passou a representar todo o empenho, trajetória e superação de cada criança. Uma prova de que reconhecer conquistas transforma o aprendizado!

  • Projeto “Caderno de Leitura” melhora fluência e autonomia de estudantes do 2º ano

    Projeto “Caderno de Leitura” melhora fluência e autonomia de estudantes do 2º ano

    Na EMEB Dr. Joracy Cruz, uma iniciativa pedagógica voltada para o incentivo e o aprimoramento da leitura vem transformando a rotina dos estudantes dos 2ºs anos do ensino fundamental. O projeto “Caderno de Leitura” foi desenvolvido para superar desafios de hesitação e pouca fluência leitora, promovendo autonomia, confiança e o gosto pelos livros desde os primeiros anos escolares.

    A proposta surge a partir da observação dos educadores sobre as dificuldades iniciais dos alunos diante dos textos. Para responder a essa demanda, cada estudante recebeu um material exclusivo e personalizado. As atividades e seleções textuais são organizadas respeitando o nível de aprendizagem e o ritmo individual de cada criança, avançando em complexidade à medida que a fluência e a interpretação evoluem.

    Além de textos didáticos, o caderno contempla uma ampla diversidade de gêneros textuais, como contos, poemas, parlendas, fábulas, receitas, tirinhas e notícias. A variedade amplia o repertório cultural das crianças e demonstra na prática as diferentes funções da leitura no cotidiano.

    Parceria com as famílias impulsiona resultados

    Um dos grandes diferenciais do projeto é a integração entre o ambiente escolar e a rotina doméstica. O Caderno de Leitura ultrapassa os muros da escola e passa a fazer parte do dia a dia das famílias, que são incentivadas a acompanhar e apoiar os momentos de leitura em casa. Essa proximidade fortaleceu a parceria entre pais e professores, tornando o aprendizado um processo contínuo e acolhedor.

    Os resultados obtidos já são visíveis dentro e fora da sala de aula. De acordo com a avaliação pedagógica, os alunos apresentaram avanços expressivos na entonação, no ritmo de leitura e na capacidade de interpretar e localizar informações nos textos. Crianças que antes demonstravam insegurança hoje participam das atividades com maior interesse e entusiasmo.

    Diante do impacto positivo no desenvolvimento das crianças e na melhoria dos índices de aprendizagem, a continuidade do projeto está garantida, consolidando o Caderno de Leitura como uma ferramenta fundamental para a formação de leitores leitores autônomos e conscientes.

  • Projeto “Raízes da Inclusão” une cultura afro-brasileira, sustentabilidade e acessibilidade na EMEB Professora Primorosa Jorge do Nascimento

    Projeto “Raízes da Inclusão” une cultura afro-brasileira, sustentabilidade e acessibilidade na EMEB Professora Primorosa Jorge do Nascimento

    Iniciativa do Atendimento Educacional Especializado (AEE) transforma o aprendizado sobre ancestralidade em uma exposição viva inspirada na árvore do Baobá.

    Promover o acesso ao conhecimento com igualdade de oportunidades e respeitar o ritmo e as necessidades de cada estudante. Foi com esse objetivo que a EMEB Professora Primorosa Jorge do Nascimento desenvolveu o projeto “Raízes da Inclusão: Cultura, Ancestralidade e Equidade no AEE”, voltado aos alunos público-alvo da Educação Especial dos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental.

    A iniciativa nasceu da necessidade de assegurar a esses estudantes um contato aprofundado e significativo com a cultura afro-brasileira e africana. Em vez de reduzir os conteúdos pedagógicos, a equipe do Atendimento Educacional Especializado (AEE) diversificou as estratégias de ensino, incorporando recursos táteis, visuais, sensoriais e materiais reutilizáveis para superar as barreiras de aprendizagem.

    Cultura, arte e recursos adaptados

    Durante as atividades, os alunos exploraram referências africanas, discutiram a diversidade de tons de pele e criaram bonecos e porta-retratos utilizando papelão, tecidos e tintas no ateliê “Raízes que Florescem”. Para garantir a participação de todos, as propostas contaram com apoio visual, ampliação de contrastes e mediação por etapas.

    O trabalho também valorizou a história de cada estudante. As famílias foram convidadas a compartilhar fotografias e memórias familiares, fortalecendo a relação entre a identidade individual, a ancestralidade e o ambiente escolar.

    Comunidade unida e compromisso com a sustentabilidade

    O projeto mobilizou toda a comunidade da EMEB Professora Primorosa Jorge do Nascimento. Além dos professores e gestores, os profissionais da limpeza e as famílias atuaram diretamente na doação de materiais, organização e registro das ações.

    A prática dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — incluindo a Educação de Qualidade (ODS 4), a Redução das Desigualdades (ODS 10) e o Consumo Responsável (ODS 12), demonstrando como a reciclagem de materiais pode andar de mãos dadas com o aprendizado artístico e cultural.

    Um Baobá que continua crescendo

    Todas as produções dos estudantes foram reunidas para dar vida a um grande Baobá — a “Árvore da Vida” —, instalado na escola como símbolo de raízes, memória e pertencimento. A estrutura não é apenas uma mostra estática: trata-se de uma exposição viva que continuará recebendo novas criações, como poesias e trabalhos dos anos finais, ao longo de todo o ano letivo.

    Os resultados já são visíveis na maior autonomia, envolvimento e confiança demonstrados pelos alunos. Ao provar que a inclusão se faz diversificando os caminhos de acesso ao conhecimento — e não diminuindo o seu valor —, o projeto reforça o direito de cada criança de aprender, criar e se reconhecer como protagonista de sua própria história.

  • “A escola do futuro é agora”: ações de sustentabilidade e solidariedade na EMEB Antônio Schiavinati

    Com base nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, projeto da Educação Infantil da EMEB Antônio Schiavinati transforma brincadeiras em impacto real no ambiente escolar e na comunidade.

    Quem disse que grandes transformações sociais dependem apenas dos adultos? Em Ferraz de Vasconcelos, crianças de apenas quatro anos (turmas de Pré I) estão provando que a conscientização e a cidadania começam na primeira infância. Por meio de jogos, brincadeiras e vivências práticas, a escola colocou em prática os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), integrando alunos, educadores, famílias e a comunidade local.

    A iniciativa parte da premissa de que a infância é o momento mais potente para o desenvolvimento de valores humanos e ambientais. Adaptadas para a linguagem infantil, as metas globais da ONU deixaram de ser conceitos abstratos e ganharam vida no cotidiano escolar: a preservação dos recursos naturais motivou o consumo consciente de água dentro da escola e nos lares; o aprendizado sobre saúde e combate à fome resultou no cultivo de uma horta comunitária e na mudança dos hábitos alimentares das crianças.

    Além do contato com a terra e o meio ambiente, a proposta pedagógica estimulou o diálogo constante sobre o respeito às diferenças, a convivência e a importância da empatia nas relações humanas.

    Mobilização comunitária e mais de 300 agasalhos arrecadados

    O protagonismo das crianças extrapolou as salas de aula. Ao identificarem a necessidade de apoiar famílias em situação de vulnerabilidade, os pequenos idealizaram e organizaram uma campanha do agasalho. As próprias crianças criaram convites para convocar os colegas da escola e seus familiares para a ação.

    O engajamento foi expressivo: em apenas dois dias de arrecadação, os alunos coletaram, triaram, dobraram e embalaram mais de 300 peças de roupas, entregues diretamente a representantes do Fundo Social de Solidariedade do município.

    Durante a ação, além do gesto solidário, as crianças desenvolveram habilidades fundamentais para a sua formação integral, exercitando a escrita, a oralidade, o desenho, a pintura e até noções iniciais de análise de dados ao contabilizarem as doações recolhidas.

    Aprendizagem no presente

    Mais do que preparar cidadãos para o futuro, o projeto demonstra o impacto imediato da escuta atenta dos educadores às propostas e reflexões dos alunos. O resultado reflete-se na mudança de comportamento no ambiente escolar, no aumento do diálogo em casa e no fortalecimento do vínculo entre a comunidade e a instituição de ensino.

    Conforme destaca a equipe pedagógica envolvida, as crianças demonstraram ser agentes ativos e críticos do seu próprio meio, provando que a construção de uma escola inclusiva, sustentável e de qualidade não precisa ser um plano para o futuro — ela já faz parte do presente.

  • Yoga e Meditação ampliam possibilidades de aprendizagem na Educação Especial em Guararema

    Yoga e Meditação ampliam possibilidades de aprendizagem na Educação Especial em Guararema

    Prática desenvolvida na Escola Municipal de Educação Complementar Adibe Sayar Daher integra movimento, respiração e relaxamento para favorecer o desenvolvimento integral de crianças com deficiência

    Movimento, equilíbrio, respiração e concentração passaram a fazer parte de uma experiência pedagógica desenvolvida na Escola Municipal de Educação Complementar Adibe Sayar Daher. Desde fevereiro de 2025, o projeto “Yoga e Meditação na Educação Especial: descobrindo possibilidades entre corpo, mente e emoções” utiliza práticas corporais e momentos de meditação como estratégias para ampliar a participação e o desenvolvimento das crianças com deficiência.

    A iniciativa surgiu da necessidade de proporcionar aos estudantes experiências corporais que respeitassem suas características, potencialidades, ritmos e necessidades individuais. A proposta integra práticas de Yoga, exercícios respiratórios, relaxamento, meditação e mindfulness, apresentadas de maneira lúdica e acessível.

    As atividades são realizadas durante as aulas de Educação Física e adaptadas às possibilidades de cada criança. Entre as estratégias utilizadas estão posturas de Yoga, exercícios de equilíbrio e respiração, mímicas, jogos de adivinhação, meditação e práticas de mindfulness.

    As propostas são apresentadas gradualmente, com demonstrações, incentivo à imitação e mediação dos profissionais. Dessa forma, os estudantes são convidados a experimentar os movimentos e participar das atividades respeitando seus próprios ritmos e limites.

    O ambiente também é organizado de forma acolhedora, possibilitando momentos individuais e coletivos. Durante o desenvolvimento do projeto, são realizados registros das atividades, das respostas dos estudantes aos estímulos e das conquistas observadas ao longo do percurso.

    De acordo com o relato da experiência, as práticas proporcionaram vivências corporais diversificadas e significativas, favorecendo a percepção e a consciência do próprio corpo. As atividades também contribuíram para trabalhar flexibilidade, força, coordenação motora, equilíbrio, concentração e autoestima.

    A utilização de jogos, mímicas, exercícios de respiração e atividades de equilíbrio tornou as propostas mais atrativas e ampliou as possibilidades de participação. Já os momentos de meditação e mindfulness favoreceram experiências relacionadas à atenção, percepção, calma e organização.

    A experiência evidencia que o Yoga e a Meditação podem constituir importantes recursos pedagógicos na Educação Especial, integrando aspectos motores, cognitivos, emocionais e sociais em atividades acessíveis, prazerosas e significativas.

    Ao inserir o Yoga e a Meditação no cotidiano escolar, a experiência valoriza as potencialidades individuais e cria oportunidades para que cada criança participe de acordo com suas possibilidades.

    Mais do que uma atividade corporal, a proposta demonstra como práticas que integram corpo, mente e emoções podem contribuir para uma rotina escolar mais acolhedora, participativa e significativa para as crianças com deficiência.

  • CULTURA QUE TRANSFORMA: TURBANTES, IDENTIDADES E INFÂNCIAS ANTIRRACISTAS

    CULTURA QUE TRANSFORMA: TURBANTES, IDENTIDADES E INFÂNCIAS ANTIRRACISTAS

    De uma pergunta provocadora surge uma experiência de pertencimento e construção de representatividade… vamos acompanhar um relato da experiência da equipe da EMEB Sylvia da Silveira de Martini.

    “A experiência nasceu da compreensão de que uma educação antirracista se constrói por meio de processos formativos contínuos, e não de ações pontuais.”

    A inquietação sobre como proporcionar situações de aprendizagens potentes e contextualizadas sobre a educação antirracista mobilizou a equipe da EMEB Sylvia da Silveira de Martini no ano de 2025. A atividade foi tão positiva que se transformou em uma ação que ainda reverbera pela escola e pela comunidade escolar, nascendo da compreensão de que uma educação antirracista se constrói por meio de processos formativos contínuos, e não de ações pontuais.

    Nos encontros de HTPC, as professoras ampliaram seus conhecimentos sobre as Relações Étnico-Raciais. Inspiradas por uma formação com a nigeriana Yetunde, passaram a questionar criticamente as referências negras presentes nos livros, brinquedos, imagens, espaços e propostas oferecidas às crianças. O percurso chegou às salas de aula através da literatura, conversas, apreciação artística, brincadeiras e investigação. Obras fundamentais como “A Pele que Eu Tenho” (bell hooks), “Quero colo” (Stela Barbieri e Fernando Vilela) e “O Pequeno Príncipe Preto” (Rodrigo França) impulsionaram o diálogo sobre identidade, beleza e representatividade. As crianças observaram imagens, exploraram diferentes formas de uso, escolheram materiais e criaram suas próprias composições. O processo culminou em um desfile onde cada estudante pôde apresentar sua criação, ocupar o espaço escolar e compartilhar suas descobertas com protagonismo.

    Os registros (fotografias, falas e produções) não tiveram apenas função de memória; serviram para os professores refletirem sobre as aprendizagens, replanejar propostas e dar visibilidade aos processos vivenciados pelas famílias. Como resultado positivo e transformador observa-se a ampliação expressiva do repertório sobre referências afro-brasileiras, maior engajamento nas investigações e fortalecimento da capacidade de expressar ideias sobre identidade, pertencimento e beleza, destaca-se o protagonismo infantil em todas as etapas de escolha e criação. Já na prática dos docentes gradualmente qualifica-se o olhar para mudanças estruturais na seleção de materiais, livros e propostas pedagógicas. O olhar docente tornou-se mais intencional, compreendendo que a prática antirracista é diária e contínua. Na Comunidade Escolar, A exposição cultural e a participação das famílias ampliaram a circulação das aprendizagens para além da sala de aula, integrando a cultura afro-brasileira ao cotidiano escolar, para além de datas comemorativas. A experiência provou que combater o racismo na infância exige rever escolhas adultas e garantir ambientes que afirmem a dignidade e a diversidade. O maior resultado não foi o evento em si, mas o que permaneceu: um olhar docente intencional, crianças protagonistas e uma escola comprometida em fazer da representatividade uma prática viva todos os dias.

  • Folclore Brasileiro transforma alfabetização em experiência de cultura, pesquisa e aprendizagem na E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme

    Folclore Brasileiro transforma alfabetização em experiência de cultura, pesquisa e aprendizagem na E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme

    Projeto desenvolvido pelo Programa de Alfabetização Garantida – PAG envolve estudantes do 3º ao 5º ano e valoriza as diferentes matrizes culturais que formam a identidade brasileira

    A E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme desenvolveu, por meio do Programa de Alfabetização Garantida (PAG), a experiência “Folclore Brasileiro: As Raízes Culturais que Nos Unem”, envolvendo estudantes do 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental.

    Coordenada pela professora Cynthia Missao Carneiro, a proposta integrou alfabetização, letramento e valorização da diversidade cultural, utilizando o folclore brasileiro como ponto de partida para ampliar conhecimentos, fortalecer aprendizagens e promover o respeito às diferenças e às relações étnico-raciais.

    Lendas, cantigas, brincadeiras, festas populares e outras manifestações culturais foram utilizadas como caminhos para que os estudantes compreendessem que o folclore brasileiro é resultado das contribuições de diferentes povos, entre eles indígenas, africanos e europeus.

    A proposta foi articulada às práticas já desenvolvidas no PAG, envolvendo leitura compartilhada, produção textual, jogos de alfabetização, pesquisa, oralidade e atividades artísticas. Ao mesmo tempo, as experiências favoreceram o protagonismo estudantil e o desenvolvimento de competências socioemocionais, como cooperação, empatia, comunicação e respeito às diferentes identidades.

    O projeto teve início com rodas de conversa sobre cultura, folclore e diversidade, valorizando os conhecimentos prévios dos estudantes.

    Na sequência, foram apresentados vídeos sobre lendas brasileiras, povos indígenas, cultura africana e diferentes manifestações culturais do país. As experiências foram acompanhadas de registros escritos e ilustrações, possibilitando que os estudantes articulassem conhecimentos, linguagem e expressão artística.

    A leitura compartilhada de lendas, parlendas, cantigas e adivinhas contribuiu para o desenvolvimento da fluência leitora, da interpretação e da produção textual.

    Cada estudante também realizou uma pesquisa sobre quatro lendas e produziu um triorama, reunindo informações sobre o nome, as características, o habitat e a importância cultural dos personagens pesquisados.

    Entre as atividades desenvolvidas, os estudantes participaram ainda de uma oficina de máscaras do Saci, relacionando a personagem às influências indígenas e africanas presentes na formação do folclore brasileiro.

    A proposta possibilitou que um personagem conhecido do imaginário popular fosse estudado para além da simples narrativa, favorecendo a investigação sobre as diferentes contribuições culturais que compõem as manifestações brasileiras.

    Para finalizar o percurso, os estudantes construíram um mapa cultural do Brasil, localizando lendas e manifestações características de diferentes regiões do país.

    Dessa forma, leitura, escrita, oralidade, pesquisa, arte e trabalho colaborativo estiveram presentes de maneira integrada ao longo da experiência.

    Os resultados demonstraram avanços na alfabetização e no letramento, especialmente na fluência leitora, produção escrita, oralidade e interpretação de textos.

    Também foi observada maior participação dos estudantes nas pesquisas, apresentações e momentos de socialização dos trabalhos, com ampliação da autonomia, do interesse e do protagonismo.

    Além das aprendizagens relacionadas à leitura e à escrita, a experiência contribuiu para ampliar o repertório cultural dos estudantes e fortalecer a compreensão de que o folclore brasileiro é resultado das contribuições de diferentes povos.

    As atividades também favoreceram o desenvolvimento de competências socioemocionais, como empatia, cooperação, responsabilidade, criatividade, comunicação, escuta ativa e trabalho em equipe, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a convivência respeitosa no ambiente escolar.

    Um dos destaques da experiência foi a articulação entre a Educação em Tempo Integral, a Educação das Relações Étnico-Raciais e as práticas do Programa de Alfabetização Garantida.

    Ao integrar jogos de alfabetização, leitura compartilhada, produção textual, rodas de conversa e projetos colaborativos ao estudo das matrizes indígena, africana e europeia presentes na cultura brasileira, a escola transformou o folclore em uma experiência interdisciplinar, significativa e inclusiva.

    A proposta demonstrou que trabalhar a cultura brasileira também pode contribuir para fortalecer a alfabetização, ampliar repertórios, estimular a pesquisa e desenvolver estudantes mais conscientes da diversidade que constitui o país.

    A experiência da E.M. Professora Consuelo Apparecida Tavares Neme evidencia que o processo de alfabetização pode ganhar ainda mais significado quando dialoga com a cultura, a história e as experiências dos estudantes.

    Ao conhecer diferentes lendas e manifestações culturais, pesquisar suas origens, produzir textos, criar materiais e compartilhar descobertas, os estudantes não apenas desenvolveram habilidades de leitura, escrita e oralidade, mas também tiveram a oportunidade de reconhecer a riqueza das diferentes tradições que compõem a identidade brasileira.

    O trabalho reafirma o compromisso da escola com uma educação equitativa, inclusiva e voltada à formação integral, fortalecendo o protagonismo dos estudantes, a cooperação e o respeito à diversidade.

    Porque conhecer nossas raízes é também reconhecer a diversidade que nos forma, valorizar nossas histórias e compreender que diferentes culturas podem nos unir.